quarta-feira, 13 de abril de 2011

DIA D .....

Pois é, a mídia inventou " o dia do beijo , do amigo, do amante..." , aí eu me pergunto: e a vontade, o desejo, o tesão, o afeto e a nossa necessidade têm dia? Bobagem esta história de " dia do, dia de". Todo dia é dia de tudo! Ontem não foi dia de nada, mas senti muita vontade de dar um abraço. Hoje no dia do beijo, sinto uma necessidade enorme de ganhar um abraço daqueles que não tem tamanho, um abraço para me sentir agasalhada, envolvida, amparada, querida, gostada, protegida. Sabe aquele carinho que a pele absorve, que tem cheiro de saudade e gosto afeto. Abraço que em seu silêncio diz mais que qualquer enciclopédia, que alivia mais que qualquer analgésico , que te faz se sentir caindo do vigésimo andar, aquele mesmo que provoca um friozinho gostoso na barriga. Um abraço de irmão, de pai, de amigo, de namorado, de marido , de amante! Um abraço que me quebre virtualmente as costelas que me arrepie os pelos do corpo, que tire meus pés do chao! Aquele bem apertado, que deixa o corpo colado, que une dois corações num único compasso. Não preciso de um dia exato para desejar, recomendar ,receber ou dar esse abraço. Abraços deveriam ser receitados, assim como analgésicos , antibióticos, anti-inflamatórios! Abraços curam. Aliviam sintomas de rejeição, solidão, abandono. Faz bem a quem dá e mais ainda a quem recebe. Um abraço revela a saudade, produz calor, desperta emoção, demonstra carinho. Abraço não precisa de um dia nem de um motivo para existir, ele só precisa acontecer.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Deixando-me em paz !

Vou falar de sentimentos, quer assunto mais banal? Pois é....Uma mercadoria de alto consumo , mas de pouco insumo. É muito estranho estar diante deste confronto, razão e emoção.
Falar de sentimento exige que você se desnude, revele a sua metade oculta, tenha coragem e utilize da razão para extravazar suas emoções e ao mesmo tempo é um " cutucar " nessa caixinha blindada que chamamos de sensibilidade.
Escrever sobre o que sentimos, pode até parecer tarefa fácil, mas confesso e só aqui sou capaz de fazê-lo, não é fácil admitir fracassos, indiferença, rejeição e desamor. É preciso ter muita coragem e deixar a porção racional se subjulgar à metade passional.
Como assim? Fácil de entender: o bem amado, o acolhido e bem sucedido nas coisas do amor, não fala! Não se reclama, e muito menos tem tempo de estar diante de um teclado expondo-se num blog.
Só utiliza este recurso, aquele que reconhecidamente, tem queixas emocionais.Aquele cujo desejo não é realizado, aquele que se sente o excluído da possibilidade de ser feliz partilhando sua outra metade. Outra metade sim, porque a primeira metade é aquela que sonha e a metade a compartilhar é a que realiza os sonhos. Minha primeira metade nem chegou a sonhar, mal terminada uma relação, já estava sendo solicitada para tentar um outro passeio nas asas da aventura de ser amante.
Topado o desafio, desafiada e desafiante, envolveram-se num jogo de azar ou seja, quem tem sorte se diverte e o perdedor gama, azar o dele!
Pois então, neste movimento afetivo quem ganha é aquele que teve sorte, beijou, abraçou, transou, divertiu-se, estimulou, tirou partido de tudo e pasmem, foi tudo consentido!
Do outro lado, eu! Pensei saber jogar e desfrutar da parte boa e prazerosa: nada de cuecas, comida, travesseiro babado, mau humor, contas a pagar e risco de desemprego.
O que me foi vislumbrado era o paraíso.......carinho, cafuné dos bons, sexo....aquele tipo adolescente no auge de sua performance! Um passeio aqui, um jantar ali e sempre culminando naquele amasso, explodindo de tesão, dois corpos ávidos um do outro, onde a palavra de ordem é o prazer!
Ledo engano! Dos poucos e raros encontros, posso contar nos dedos de uma das mãos, ficou o desejo daquilo que não me foi dado, ficou a sensação de produto descatável e sem possibilidade de reciclagem, ficou a saudade e uma mágoa inominável.