quinta-feira, 14 de março de 2013

50 TONS DE LIBERDADE E AUTONOMIA

Meu conceito de liberdade até bem pouco tempo prendia-se a atos que pudesse praticar sem a necessidade de autorização, limitava-se ao poder de ir e vir, ao fato de poder expressar idéias, sentimentos.... poder dispor de bens da maneira que bem entendesse.
Em nenhum momento da minha vida dei a essa palavra seu sentido mais amplo.
Somente agora, me dei conta de que liberdade é muito mais do que imaginava. O que durante muito tempo nomeei de liberdade tratava-se apenas de autonomia.
No auge da minha maturIDADE, sou obrigada a admitir o quanto fui ingênua em me acreditar livre, ou seja, dona do meu próprio nariz, enganando-me com uma série de ações que em nada tinha a ver com liberdade.
Percebi que em minhas ações existia apenas autonomia, eu era suficientemente matura para lidar com problemas de família, amparar amigos, tomar decisões sobre minha vida pessoal, gerenciar minha vida financeira, e até mesmo a profissional.
Nunca associei liberdade a sentimentos. Hoje, sou capaz de falar com toda convicção que não existe liberdade em nossas ações cotidianas, que nunca fui livre por apenas decidir o que me convinha em diferentes setores da minha vida ou o necessário para a vida daqueles com quem convivo.
Tenho a clareza que minha conquista pela liberdade se deu pelos sentimentos, pela vivência de relações interpessoais.
O fim de relacionamentos que sem classificá-los como bons ou ruins, bem ou mal sucedidos, tive-os sempre como  raiz do meu momento feliz ou infeliz. Não refiro-me somente a relacionamento amoroso, repito, falo de todo tipo de relação onde a convivência produz conflitos, choques de opiniões, satisfação e insatisfação e se incluo as relações onde o afetivo era o foco principal, preciso também incluir a expectativa e a decepção.
Tomei consciência do termo "liberdade ", quando em confronto com os sentimentos gerados pelos tais conflitos oriundos dessas relações passaram a ser dimensionados e a intensidade que esses sentimentos, todos : raiva, alegria, tristeza, preocupação, insegurança, saudade, arrependimento, amor, ódio, desconfiança, medo, certeza, solidão, etc...interferiam no meu projeto e desejo de felicidade.
Ao mensurar o quanto todos aqueles sentimentos influenciavam o meu dia a dia, invadindo minha vida com sintomas de incompetência e impotência diante do que eu me propusera  ou desejara, tive como resposta a certeza de que a única forma de realmente atingir minha meta, ser feliz, seria minimizar todos esses sentimentos e encarar todas as situações pendentes como fato consumado.
Resolvi que se não está bom do jeito que eu faço, deve haver alguém mais capacitado; que se minha resposta não foi a mais adequada, que busquem um especialista, que se minha sugestão não é a melhor solução, que busquem caminhos novos e melhores.
Na verdade, acabei me descartando de mim mesma, quebrando  minha rigidez e a ideia de abraçar o mundo com as próprias pernas.
Na questão amorosa, pude perceber o quanto é bom não esperar do outro aquilo que não está disposto a dar ou não aprendeu ainda a ser. Passei a não mais fugir das situações e coisas que me frustravam ou me incomodavam, dediquei, na mesma proporção o que me era dedicado, prometi a mim mesma o direito de ser feliz a qualquer custo, com ou sem a parceria desejada e com isso também, pude verificar que a tal responsabilidade que a gente tem ou quer ter pelo outro é fantasia, descobri que é muito bom olhar para trás e não sentir falta, que receber uma ligação da pessoa que gostamos, não tem tanta importância, que estar com alguém para não estar só é o mesmo que dar ao outro um poder que não tem, que é o de te fazer sofrer pela ausência, pela indiferença ou pelo amor que nunca coube ali.
Eu não vou vou abrir mão da autonomia que sempre tive, mas acredite, melhor que ter autonomia é viver meus "50 tons de liberdade !"