quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Deixando-me em paz !

Vou falar de sentimentos, quer assunto mais banal? Pois é....Uma mercadoria de alto consumo , mas de pouco insumo. É muito estranho estar diante deste confronto, razão e emoção.
Falar de sentimento exige que você se desnude, revele a sua metade oculta, tenha coragem e utilize da razão para extravazar suas emoções e ao mesmo tempo é um " cutucar " nessa caixinha blindada que chamamos de sensibilidade.
Escrever sobre o que sentimos, pode até parecer tarefa fácil, mas confesso e só aqui sou capaz de fazê-lo, não é fácil admitir fracassos, indiferença, rejeição e desamor. É preciso ter muita coragem e deixar a porção racional se subjulgar à metade passional.
Como assim? Fácil de entender: o bem amado, o acolhido e bem sucedido nas coisas do amor, não fala! Não se reclama, e muito menos tem tempo de estar diante de um teclado expondo-se num blog.
Só utiliza este recurso, aquele que reconhecidamente, tem queixas emocionais.Aquele cujo desejo não é realizado, aquele que se sente o excluído da possibilidade de ser feliz partilhando sua outra metade. Outra metade sim, porque a primeira metade é aquela que sonha e a metade a compartilhar é a que realiza os sonhos. Minha primeira metade nem chegou a sonhar, mal terminada uma relação, já estava sendo solicitada para tentar um outro passeio nas asas da aventura de ser amante.
Topado o desafio, desafiada e desafiante, envolveram-se num jogo de azar ou seja, quem tem sorte se diverte e o perdedor gama, azar o dele!
Pois então, neste movimento afetivo quem ganha é aquele que teve sorte, beijou, abraçou, transou, divertiu-se, estimulou, tirou partido de tudo e pasmem, foi tudo consentido!
Do outro lado, eu! Pensei saber jogar e desfrutar da parte boa e prazerosa: nada de cuecas, comida, travesseiro babado, mau humor, contas a pagar e risco de desemprego.
O que me foi vislumbrado era o paraíso.......carinho, cafuné dos bons, sexo....aquele tipo adolescente no auge de sua performance! Um passeio aqui, um jantar ali e sempre culminando naquele amasso, explodindo de tesão, dois corpos ávidos um do outro, onde a palavra de ordem é o prazer!
Ledo engano! Dos poucos e raros encontros, posso contar nos dedos de uma das mãos, ficou o desejo daquilo que não me foi dado, ficou a sensação de produto descatável e sem possibilidade de reciclagem, ficou a saudade e uma mágoa inominável.