sábado, 10 de julho de 2010

AMOR MÚTUO BOM !

O amor é uma corrida apressada até o fim e o mais alto do outro. Só depois de se lá chegar e viver, e ser, e gozar, e sentir, começam os percursos da volta, o retorno às partes que se tornaram retardatárias mas existem e se movimentam.
É como o curso de um rio que desemboca no próximo e reflui. Na vigência do amor, chega-se, logo e com deslumbramento, ao fim do curso. Aí há o refluxo. A água volta à origem e nessa volta vai passando por todas as partes que ficaram submersas, invadidas ou esquecidas quando as águas passaram aceleradas e torrenciais.
O amor é um começo pelo fim, no qual o meio vem sempre depois com as suas insuperáveis leis. Por isso ele corre mais rápido do que as coisas que estão no seu caminho. A vivência de amor é difícil e dolorosa porque significa voltar depois de ter chegado ao fim, ao auge, ao máximo.
O amor é sempre o preço dessa volta e a contemplação de tudo que o estava no caminho e foi superado pelo velocidade e intensidade das águas-paixão. Essa volta vai revelando, dia a dia, momento a momento, as margens de cada um que ficaram esquecidas ou deixadas para depois na passagem turbilhonária e deslumbrante da paixão. Nessas margens estão os mais lindos recantos de cada ser ou se escondem as águas turvas, os aspectos menores e restritivos.
Difícil, portanto, não é a chegada ao fim: é viver os vários refluxos pois neles estão escondidas depressões suficientes ou não para terminar o amor. Ao mesmo tempo, o amor cresce, na medida em que o refluxo permite descobrir, agora com mais calma a base na realidade, as partes mais lindas das margens de cada um, os remansos, as terras fecundadas, as voltas sinuosas, os jardins bonitos de cada existência, as partes férteis de cada ser.
É quando o amor deixa de ser muito bom, para ser mútuo bom. E o amor só cresce quando é mútuo bom quando, depois de ter chegado ao fim ( no sentido de ápice, extremo, máximo) volta-se sobre si mesmo num refluxo enriquecedor.
Na entrega ao outro, vale a verdade. É revelar-se! Vale o que se está sentindo: pena? Saudade? Desvalia? Amor ? Gana de chorar? Atitude antimachista ? Querer ir ? Nada de esconder ! Se as sinto, manifesto-as! Que me venha o choro! Contraditório ? Sim, mas quem não é ?
Porque amor é muito bom ou melhor, MÚTUO BOM!

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