No momento em que nos damos conta que o tempo é implacável e que sua perda é, lamentavelmente, irreversível é que refletimos sobre as borboletas que trazemos em nosso interior e das poucas metamorfoses que nos permitimos realizar.
É exatamente por estar consciente de que ,nesta meia maratona que é a nossa existência , só nos é possível enxergar a reta de chegada,é que buscamos saciar nosso eu, de guloseimas saborosas, as quais nunca demos a menor importância por maior que tenha sido a oferta ou que se tenha tido apetite voraz!
É essa tentativa de suprir todas as nossas carências e resgatar algumas atitudes coerentes, deixadas em rascunho sem a menor intenção de passá-las a limpo, que atentamos para o quanto de energia positiva concedemos ao abominável desperdício de tempo,dinheiro ou de vida, porque para aqueles que alardeiam que tempo é dinheiro, podemos acreditar que o pregão fechou em queda vertiginosa, enquanto aos que acreditam que tempo é vida, é sentido, é realização , é estar de alguma forma enxertados em relações sociais e emocionais, conclui-se que na verdade haverá uma enorme sensação de perda, frustração e o estranho desejo de regredir, retomar o caminho de volta e reeditar , agora ,de uma outra forma, numa outra versão , repaginada e livre de mazelas que foram tão significativas em situações não experienciadas ou degustadas .
Essa inominável sensação nos conduz ao déficit emocional onde cada uma dessas ausências se converte para um somatório de cobranças que se reflete nas atitudes, que vamos aos poucos deixando que se configurem em características a serem observadas e criticadas.
Ao tentarmos impor , àqueles de quem pretendemos extrair o néctar da compensação, a presença obsessiva gerada por nossa abstinência sentimental, invocamos e trazemos para nós a repulsa e frieza peculiar do ser que não suporta o exercício dominador de uma personalidade perturbada pela ausência de si mesma.
A busca pelo equilíbrio nas relações humanas é sofrida e dolorosa, a medida em que se quer garantia eterna de felicidade, “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, a medida em que não se consegue abrir mão do farto egoísmo que nos denomina seres em constante processo de amadurecimento.
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